terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"Crise fez Portugal regredir dez anos"


oInimigoPúblico



      Powerpoint com avaliação da Troika foi projectado nas olheiras de Gaspar

Ouro vendido sem contraste abre caminho a falsificações


Centenas de toneladas de ouro estão a ser fundidas em Portugal

Estão a ser detectados "casos de falsificação" de barras de ouro em Portugal, garantiu ao Negócios fonte oficial com competências na monitorização do sector. Esta situação surge, em paralelo, com a proliferação de casas de compra e venda de ouro no País, um fenómeno relacionado com a deterioração da situação económica. Trata-se de ouro que é vendido sem punção de contraste, uma espécie de selo colocado pela Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM), que garante a autenticidade do metal precioso. Acontece que muito ouro está a ser vendido sem esta marca de contraste, o que abre caminho a eventuais falsificações.

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De onde provem este ouro?
As casas que se dedicam á compra deste metal, não sofrem da crise que afectou todos os portugueses (refiro-me aos sérios e trabalhadores)?



A estranha beleza da língua Portuguesa!


Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:

-Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou morte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmara deste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:

-Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa?

O candidato respondeu:

-Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nível cultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é para pessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos que estão aqui. A terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural muito baixo. Pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, ali deitado na esquina.
De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e “atira”:

-Senhor postulante, aspirante ou candidato: (hic) o facto, circunstância ou razão pela qual me encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa ou quer dizer que o meu nível (hic), cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasca (hic). E com toda a reverência, estima ou respeito que o senhor me merece (hic) pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seus haveres, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho (hic) à leviana da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica, à p…que o… 


O vizinho

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Eleições na Russia

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Kuwait não é uma República


Afinal temos um presidente da República gagá que assina de cruz.

Um decreto elaborado pelos seus assessores, pagos a peso de ouro, que não cursara nas novas oportunidades, mas que desconhecem que o Kuwait não é uma República, mas sim uma monarquia constitucional.

Até quando conseguiremos aguentar tanta incompetência e tanta burrice?

Kuwait invadido…pelos assessores presidenciais que tão bons conselhos e sapiência prodigalizam ao Prof. Cavaco Silva.

O Kuwait foi parte de uma República nos saudosos tempos do Senhor Sadam Hussein, mas tal felicidade foi sol de pouca dura, pois o emir regressou. Mesmo assim, pretendendo nomear um Leitão como embaixador português naquela Monarquia muçulmana, o Palácio de Belém tomou um lugar numa máquina do tempo e decretou um posto naquela “antiga parte de Republica”.

Um simples fait-divers que passou despercebido a PPC e a PP. É a Republica Portuguesa no seu melhor. Viva…

E nós a vê-los contratar


De vez em quando vem a público, e logo é esquecida, a notícia de mais uma dessas inúmeras heterotopias jurídicas que é de uso designar de parcerias público-privadas, através das quais, sempre da mesma maneira, dinheiros públicos acabam em bolsos privados.

Desta vez é a Fagar, empresa de águas e resíduos sólidos de Faro criada há sete anos pela Câmara com capitais maioritariamente municipais e em parceria com a AGS (grupo Somague, detido pela espanhola Sacyr).


Uma auditoria do Tribunal de Contas descobriu que a Fagar representou, de 2006 a 2010, uma hemorragia de dinheiros públicos da ordem dos 3,6 milhões de euros, sendo que, a manter-se a "tendência crescente" de derrapagem, serão precisos 25,6 milhões para reequilibrar as contas até ao termo da parceria entre a Câmara e a Sacyr. O curioso do negócio é o mesmo curioso (chamemos-lhe assim, embora haja palavra mais adequada) de outros negócios do género: os riscos correm todos por conta do sector público; o capital privado, mesmo que a coisa dê prejuízo, tem contratualmente assegurada uma rentabilidade de 8,41% (paga adivinhe o leitor por quem).


Como se vê, não são só os chineses que fazem em Portugal negócios da China. Quando se trata de capital privado a render à sombra da árvore das patacas pública, os nossos eleitos não descriminam ninguém, dos espanhóis da Sacyr aos angolanos do BPN. Até porque o dinheiro não é seu e a impunidade está garantida.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O tango

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Queremos mentiras novas


Antigamente, os bófias usavam bigode e farda cinzenta, eram gordos, velhos, broncos e partilhavam o patamar social das sopeiras, nome depreciativo atribuído às criadas internas que desaguavam nas cidades para servir nas casas de quase todas as classes, até mesmo as da mais pobre pequena burguesia.

Ser casada ou filha de um polícia não era motivo de orgulho. A democracia e a europeização do país beneficiaram muito a classe, que ganhou prestígio e subiu na escala social à medida que se alargava a mulheres e era fornecida com gente mais formada, educada - e vestida com fardas azuis de bom corte.


Começar a ser frequente tratar com polícias mais jovens foi o primeiro sinal de que eu estava a envelhecer. O segundo e mais alarmante, que me fez perceber que já tinha mais passado do que futuro, foi a chegada de Obama à Casa Branca, histórica pois pela primeira vez os EUA elegiam um presidente mais novo do que eu.


Nunca mais parou de crescer o meu respeito pelas 23 109 mulheres e homens que integram a PSP e que apesar de não terem um salário por aí além (em média ganham por mês apenas 1458 euros brutos, menos 884 euros que os colegas da GNR) garantem a segurança nos 6% do território habitado por 50% da população.


É por isso que fiquei incomodado com a manchete de ontem do "Expresso", um ataque baixo à capacidade e brio profissional da PSP, acusada de ser incapaz de proteger o PR de um bando alegre de adolescentes de uma escola artística.


Apesar de Cavaco ter ao seu dispor 30 elementos do Corpo de Segurança Pessoal da PSP, segundo o "Expresso" apurou, "junto de três fontes distintas", os quatro agentes da equipa de segurança avançada deste corpo, presentes no local da manifestação juvenil, declararam-se incapazes de evitar que o presidente fosse agredido "mal saísse do carro" e como "não estavam reunidas as condições mínimas para fazer a visita" recomendaram que ela fosse anulada.


A ser verdade que a PSP não consegue garantir a segurança do PR durante o dia, num bairro sossegado e de classe média de Lisboa, está achada a serventia para os seis blindados encomendados para Cimeira da Nato mas só entregues bem depois dela ter terminado.


Cavaco vai deslocar-se no interior de um desses blindados de sete toneladas quando tiver de passar perto de Chelas e da Damaia ou de outros bairros problemáticos, como o Lagarteiro e a Bela Vista (Setúbal).


Mas, aqui cá para nós, desconfio que atribuir à Polícia a responsabilidade pelo impedimento de Cavaco não passa de uma história inventada à pressa e colada com cuspe para proteger a depauperada imagem do PR - à custa da da PSP.


Sei que a vida é mesmo assim, mas não me conformo. Queremos mentiras novas e mais bem contadas. Contratem um guionista bom. Ou então mudem de agência de comunicação.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

OCDE pede ao Governo expansão do modelo Novas Oportunidades


24/02/2012 | 16:16 | Dinheiro Vivo
Numa altura em que o Governo PSD/CDS está a desmantelar a rede de centros Novas Oportunidades, a OCDE vem pedir o contrário.


No relatório "Going for Growth 2012", o estudo anual sobre as reformas estruturais necessárias ao crescimento, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) recomenda ao actual Governo que "expanda mais a educação e a formação vocacional".


A organização que junta os 30 países mais desenvolvidos do mundo classifica o que foi feito nos últimos anos como boas práticas. Os elogios vão, essencialmente, para o anterior Governo do PS: "As autoridades expandiram a educação e a formação vocacional de jovens e de adultos com menos qualificações (Novas Oportunidades)", exemplifica.


E continua: "Desde 2007, as autoridades introduziram reformas na educação terciária, entre as quais  governança, diplomas e participação de adultos". >>>
  Ler o artigo completo 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O poema da "Mente"

Há um primeiro-ministro que mente.
Mente de corpo e alma, completamente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele mente sinceramente.
Mas que mente, sobretudo, impunemente...
Indecentemente... mente.
E mente tão racionalmente,
Que acha que mentindo vida fora,
Nos vai enganar eternamente.

Vende-se


 Excelente oportunidade de negócio (especial atenção aos governos de Angola e China).

Vende-se país periférico integrado na união europeia com várias áreas de interesse:
- 2 mil km/2 de praias
- 10 milhões de inquilinos. Mais de 50% com  idade média superior a 60 anos
-Perspectiva de vida de curta duração, sem compromissos sociais e encargos com a população (completamente submissos)

Excelentes áreas de exploração:
-Electricidade, águas, transportes, companhia aérea, televisão, correios, petróleo e energias alternativas
-Milhares de hectares de terras para cultivo abandonadas
-Milhares de kms de auto-estradas desertas
-Milhares de kms de mar para pesca ainda sem exploração
-Algumas minas de ouro e outros metais para exploração
-Clima tropical. Aproximadamente 7 meses de sol por ano
- 2 regiões autónomas, uma delas cheia de buracos, mas com offshore e carnaval com palhaço especial
-Diversos palácios públicos com inquilinos a contrato
- 2 estaleiros navais fechados
-Uma siderurgia e várias unidades fabris desactivadas
-Rede eficiente de cobradores
-Vários estádios de futebol sem inquilinos
-Dos melhores parques automóveis da Europa
-Dos melhores gestores públicos do mundo (a julgar pelos vencimentos e mordomias)
-Um exército de desempregados que aceitam tudo a qualquer preço

Oferece-se com bónus a modernização das linhas ferroviárias

Preço base de licitação: 240 mil milhões de euros

Envio de propostas para:
Palácio de São Bento,
Rua de São Bento, Lisboa
(ao cuidado do Sr. “Relvas de Coelho”)

Motivo da venda: Orçamento 2012



Uma democracia doente


 Que, após anos de alternância entre o PS e o PSD (ou PSD/ CDS), sem que a alternância governativa tenha significado alternância de políticas económicas, a democracia portuguesa foi conduzida a um beco aparentemente sem saída, já se sabia; que a tutela absoluta da "troika" sobre essas políticas e sobre a acção dos partidos do chamado "arco da governação" afunilou ainda mais qualquer hipótese de saída de tal situação no actual quadro político, também já se sabia; não se sabia era que os desesperançados eleitores portugueses tivessem plena consciência de tudo isso, embora fosse possível suspeitá-lo pelo crescimento galopante dos números da abstenção (bastará dizer que, tendo em conta a abstenção e os votos brancos e nulos, o PSD alcançou o Governo representando pouco mais de 20% dos portugueses).
A sondagem agora realizada pela Universidade Católica para a RTP comprova o pior: quase dois terços (62%) dos eleitores consideram mau ou muito mau o desempenho do Governo em funções, mas três quartos (73%), olhando em volta para as alternativas viáveis - que é como quem diz para o PS - não vê que valha a pena mudar de Governo por um outro que, com mais ou menos leis do aborto ou do casamento homossexual, faça exactamente a mesma coisa.
Quando os eleitores concluem que tanto dá votar como não votar porque o resultado será o mesmo, a democracia está gravemente doente e madura para qualquer aventura populista

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Recessão será mais grave-3,3%



Com previsões destas aqui,só com um milagre!...

Dessa água não beberemos


Ainda não foi desta que o PS convenceu a "exquise" deputação a beber água da torneira e não água engarrafada. Para isso teria que passar por cima do cadáver do Conselho de Administração (CA) da AR, mas o cadáver voltou a dar-lhe uma nega.

Alega o PS que, entre Janeiro e Novembro de 2010, a AR gerou - falando apenas de resíduos não legislativos - o lixo que segue: 45 mil garrafas de plástico de 330 mililitros, 2 mil de litro e meio e 78 mil copinhos também de plástico. Julgava ainda o PS que a água da torneira fosse mais barata do que a mineral.


"Mais barata?", escandalizou-se o CA, assegurando que estudou a coisa e que, com o custo do pessoal para lavar, encher e colocar copos e jarros ao alcance dos senhores deputados, mais 4 860 euros para jarros e não se sabe quantos para copos, a água da torneira sai 30 vezes mais cara do que a engarrafada. E nem foi preciso, digo eu, contabilizar também o custo do pessoal para deitar água nos copos e levar os copos à boca dos deputados e, depois, para lhes limpar os lábios com um guardanapo; nem o custo dos guardanapos; nem o do pessoal para meter os guardanapos usados nos sacos do lixo; nem o dos sacos do lixo; nem o do transporte dos sacos para os contentores, e por aí fora.


Só não se percebe por que motivo o "estudo" se mostra tão preocupado com as "empresas portuguesas" que vendem água engarrafada e não com as empresas portuguesas que vendem jarros e copos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Tristezas não pagam dívidas

               Manuel António Pina (Opinião-J.N.)
A intolerância de ponto decretada pelo Governo para ontem, Dia de Carnaval, foi um carnavalesco fracasso: no que respeita à função pública, foi cumprida nos serviços dependentes directamente do Governo (onde, no entanto, a coisa descambou em mascarada, já que muitos funcionários optaram por aparecer ao trabalho fantasiados "de rei, ou de pirata, ou jardineira") e em pouco mais de um terço dos concelhos do continente, pois 177 das 278 câmaras, incluindo 50 do PSD e CDS, fecharam portas; isto sem fazer contas à Madeira, onde o tolerante Jardim deu folia aos "seus" 30 000 funcionários não só ontem mas também, para curtirem a ressaca, na manhã de hoje.

Já o sector privado - por "culpa" dos odiados contratos colectivos, arrepelam-se unanimemente o ministro da Economia e o patrão dos patrões - passou a manhã na cama e a tarde nos corsos ou a ver pasmadamente montras nos centros comerciais.

Não foi metade do país que parou, foi o praticamente o país inteiro, com as honrosas excepções do ministro Álvaro e de António Saraiva (e do cronista). Com efeito, muitos dos funcionários que "trabalharam" passaram o dia parados já que os serviços de atendimento público abertos estiveram às moscas.

O Governo não se terá imprudentemente apercebido de que "a gente trabalha/ o ano inteiro" e merece, como na canção de Vinicius/Tom Jobim, "um momento de sonho". E de que tristezas não pagam dívidas, incluindo dívidas à "troika".

Assembleia da Republica concluiu que...


Se não aconteceu, podia ter acontecido (ler no Inimigo Publico)

Rir faz bem


Passado que está o Carnaval, sem “tolerâncias” de ponto e pieguices, nada como ver o filme dos acontecimentos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Um pneu arrumadinho

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A verdade, esse problema

   (Opinião-J.N.) 
O número de vezes que Passos Coelho garantiu que "este Governo não pedirá mais tempo nem mais dinheiro" à UE e FMI só deve ser comparável ao número de vezes que, durante a campanha eleitoral, garantiu que, com o PSD no Governo, não haveria aumentos de impostos. Só que se soube que, enquanto Passos Coelho garantia isso, o seu Governo ia desenvolvendo contactos para... pedir mais tempo e mais dinheiro.

O empobrecimento do país que o actual primeiro-ministro se propõe (ele próprio o confessou, num dia em que, como o outro, se achou mais pachorrento) tem sido marcado por tantos e tão lamentáveis episódios que a conversa de Vítor Gaspar com o ministro alemão das Finanças sobre a renegociação do programa da "troika", gravada pela TVI, suscitou só uma polémica mansa, logo esquecida mal surgiu a polémica seguinte.

Passo Coelho nem sequer é original; a mentira tornou-se coisa "normal" na prática política. A sua única originalidade é talvez o facto de ter sido eleito acusando o anterior primeiro-ministro de mentir.

A UE, porém, leva as aparências a sério. Assim, decidiu suspender por um mês o jornalista da TVI que apanhou Gaspar a dizer em voz baixa o contrário do que diz em voz alta. E na reunião de ontem do Euro grupo já pôs em vigor novas regras limitativas do trabalho dos jornalistas. Era o que faltava, que os media revelassem verdades, em vez de serem câmaras de eco acríticas das declarações oficiais.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"Estes não subscreveram"...

Doze líderes europeus escreveram a pedir que o crescimento seja tema central da Cimeira de dia 2. Passo Coelho ficou de fora…(artigo completo aqui)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

"O ultimo discurso"...



“A falta de personalidade das elites portuguesas constitui um perigo nacional permanente”
   Artur Ribeiro Lopes


O texto do último discurso do Sr. Ministro da Defesa, efectuado num almoço - debate promovido pela Revista Segurança e Defesa, em 1/2/2012, tinha a seguinte advertência “só serão válidas as palavras proferidas pelo orador”. Vamos pois, ater-nos a isso.


Sr. Ministro, devemos começar por convir que este seu texto não lhe saiu bem. É pobrezinho, não deve muito à escrita (benza-o Deus) e está cheio de vacuidades e incongruências. Presumo que, mesmo assim, lhe tenham batido algumas palmas.


Vou tentar chamar a atenção para alguns pontos que, eventualmente, possam ser tidos por importantes com a humildade de quem reflecte sobre estas coisas vai para 40 anos, ao contrário de V. Exª que, sobre este assunto (sabendo pouco), tem a pesporrência da ignorância atrevida.


Em primeiro lugar quero lembrar-lhe que o senhor não exerce a função e o título que ostenta. O Senhor não é Ministro da Defesa Nacional pelo simples facto de não haver Defesa Nacional em Portugal desde que esta 3ª República entrou em exercício, pela razão simples de nenhum governo, até hoje, ter ligado a mínima a semelhante âmbito, da vida política e social do País. O
senhor é, tão só e apenas, o Ministro para as FAs - note-se que nem sequer é o ministro das FAs, para o caso de entender a diferença. É isso que o senhor é, e todos os seus antecessores foram-no, eufemísticamente, para meter os “militares na ordem”. Entendo que tal, para si, possa ser uma maçada. Juro, porém, que não tenho culpa alguma.


Dou-lhe duas provas do que afirmo: a primeira é a de que, até hoje, o único conceito estratégico existente é o militar, não existe mais nenhum e nunca vi nenhum MDN preocupado com isso; a segunda é a de que os MDN até ao Dr. António Vitorino, eram a segunda figura da hierarquia e às vezes acumulavam com o cargo de Ministro de Estado, justamente para poderem actuar junto dos outros ministérios, dado o carácter transversal da Política de Defesa Nacional. É claro que tal nunca serviu para nada, e quando o Dr. Vitorino se foi por causa de um caso mal contado de um monte alentejano, deixou-se cair a máscara, voltando tudo à célebre frase de

Salazar: “Defesa Nacional? Em Portugal não existe, é um milagre permanente!”. Mas, ao menos, Salazar era tido como um crente…


Com o Sr. Ministro reposto no seu devido lugar – que deve estar para ser despromovido a Secretário de Estado, o que para a importância que dão à coisa até é muito - analisemos a primeira frase digna de nota: o ter-se referido à revista “Segurança e Defesa”, como “uma casa de pensamento, como poucas no nosso país, infelizmente”. Poucas, Sr. Ministro? Então e a Revista

Militar, os Anais do Clube Militar Naval, todas as Revistas Militares, as Secções da Sociedade de Geografia, as diferentes Academias de Saber; o IDN, o IESM, os Estados-Maiores dos Ramos, etc., tudo isto é pouco? Não lhe chega? Que a Universidade portuguesa (à excepção das Escolas Superiores Militares) se tenha dissociado da temática da Defesa Nacional isso seria um assunto que o devia preocupar se acaso exercesse o tal cargo de MDN; mas o que resta não é
suficientemente rico? A Revista Segurança e Defesa foi, até, a última a chegar… E, Sr. Ministro, para que serve estudar assuntos e propor coisas se quem tem o poder executivo ou legislativo não quer saber disso, em rigor, para nada?


E vem o senhor falar outra vez em reformas? Mas está a brincar connosco ou a querer acusar todos os seus antecessores que não fizeram nada que jeito tivesse?


E vem mais à frente dizer, que esta “reforma… faz-se com os militares, faz-se com os chefes ou não se faz de todo?” Mas alguma vez fizeram alguma reforma, para o bem ou para o mal, com os chefes ou os militares? Será por isso que constituiu um grupo de trabalho só com civis para reestruturar o Ministério? Ou terá contratado uma menina para o seu gabinete que, na prática, curto - circuita o chefe do dito, na esperança que o seu sorriso cative as tropas?


O Sr. Ministro ainda não reparou que aquilo que está agora a aprender já a nós há muito esqueceu?


E, já agora, ainda não reparou que depois de ter dito, em Mafra, a 14 de Agosto, que o governo do PS devia “pedir desculpa às FAs” e a seguir ter mantido tudo igual, o desqualificou? Quem é que quis enganar?


E vem afirmar que “à semelhança do que está a acontecer noutros sectores, tudo está, entre nós, a ser repensado”, mas então se a IM está sempre a ser repensada, vive de quê e como? E que as reformas se fazem por “necessidade” e por “oportunidade”? Necessidade porquê? Funcionam mal?

Não cumprem as missões? São corruptas? Fazem greves? São um desperdício?




Desde que a Lei 29/82 entrou em vigor, acaso as FAs contribuíram em alguma coisa, ou têm sequer a mínima responsabilidade no estado caótico económico/financeiro/social/etc., a que a sociedade portuguesa chegou? Conhece algum sector do Estado que possa servir de exemplo reformador, às FAs? Desafio-o a responder!


E diz de “oportunidade” porquê? Para se aproveitar e desculpar com o acordo da “Troika” que nunca devia ter sido chamada? O senhor devia envergonhar-se e estar coberto de vergonha por causa de pertencer a uma classe política que colocou o país debaixo da canga de tal tripeça! Como é que, em termos de Defesa Nacional, qualifica o acordo da Troika, é capaz de dizer? S. Exªs chegaram cá e mandaram cortar 3000 homens nos efectivos e os senhores cortaram e agora diz que as FAs, como estão, são insustentáveis? Mas insustentáveis em relação a quê? Qual é a referência? O senhor não me tire do sério!


Será que é por isso que fala em ser necessário repensar o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, que tem sido um conjunto de frases feitas cujo português tem sido melhorado com o tempo? E do que lá está escrito, é capaz de dar um exemplo - só para descansar os leitores – de algo que algum governo tenha consubstanciado a sério?


Quer repensar a Lei da Programação Militar? Mas para quê se não têm a menor intenção de cumprir seja com o que for que lá esteja especificado?


E o que quer dizer com “mas podemos e devemos ir mais além questionando, mesmo, se o papel das FAs é apenas o da Defesa”. Então há-de ser o quê? Quererá pôr o que resta do Regimento de



Engenharia de Espinho, por ex., às ordens de um presidente de câmara qualquer? Quer pôr o pessoal do Regimento de Infantaria de Beja (hoje com 36 homens) a plantar batatas para ajudar a Misericórdia local? Ou quer transformar as poucas centenas de tropas especiais (a desaparecerem) como reforço da GNR, quando esta já não conseguir colmatar a PSP que está a caminho da dissolução?

E quer fazer o quê, com a tropa, se já só quase existem quadros?


E como tem o topete de vir falar em “condição militar”, quando clamou: “um militar não é um funcionário público”, quando é precisamente esse estatuto que o seu partido e os restantes do

“centrão” têm, porfiadamente, tentado reduzir os militares desde que o seu antecessor Nogueira aprendeu a distinguir um helicóptero de uma lancha de desembarque?


Não tenho, por outro lado, qualquer papel de advogado de defesa relativamente às Associações Militares. Há muitas e variadas e foram os senhores da política que as autorizaram, mas ainda não vi nenhuma delas andar a “cavar fora da sua horta”. Confesso que não sei em que âmbito se fez referência à extinção de um feriado. Mas quero dizer-lhe que eu, que apenas falo como cidadão, vejo muito mal que se acabe com o 1º de Dezembro. E isto já diz respeito a todos os militares porque tem a ver com a tal Defesa Nacional. O 1º de Dezembro é um símbolo identitário do país e da Independência de Portugal. E o ministro se de facto fosse da Defesa, ter-se-ia oposto a mais este disparate.

A resposta já vai longa apesar de ainda não o ter zurzido com um décimo daquilo que o seu
discurso merecia. E não pense que “há algum descontentamento”, tenha antes a certeza que já ninguém o(s) quer ver ou ouvir.


Fará o favor, ainda, de não tornar a convidar nenhum dos meus camaradas no activo para se retirarem ou, já agora, emigrarem. Eles estão lá a servir o País de muitas maneiras, que o senhor não era capaz de fazer.


O que o senhor tem dito e feito é que configura já uma situação em que ninguém tem dúvidas de quem é que está a mais.


QUARTA-FEIRA, 8 DE FEVEREIRO DE 2012
JOÃO JOSÉ BRANDÃO FERREIRA
Ten. Cor. Piloto Aviador (ref.)

Poema matemático

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base...
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.

Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.
Até que se encontraram
No Infinito.

"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram
O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Rectas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
das fórmulas euclidianas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissectriz.
E fizeram planos, equações e
diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
se torna monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum...
Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade.
Era o Triângulo,
chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era espúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

sábado, 18 de fevereiro de 2012