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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Abaixo a incompetência...


Opinião por: João Leão - Economista
O cenário macroeconómico do PSD: um buraco de 4.750 milhões
No passado, este tipo de exercícios de magia acabou por resultar em derrapagens, orçamentos retificativos e cortes nos rendimentos.
O cenário macroeconómico do PSD: um buraco de 4.750 milhões de euros no défice orçamental que antecipa cortes nas pensões, salários e SNS.(ler artigo...)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Os altos e baixos de Centeno ao ritmo do andamento da economia

 De rejeitado no departamento de estudos do Banco de Portugal até à tomada de posse esta sexta-feira como presidente do Eurogrupo, Mário Centeno percorreu um caminho improvável. Em apenas cinco anos, o economista sem experiência política passou da teoria à prática e da sombra dos gabinetes para o centro das atenções mediáticas à escala europeia, com pontos baixos e altos feitos ao sabor dos resultados económicos e financeiros conseguidos nos últimos anos por Portugal.

O primeiro passo determinante para a caminhada do ministro das Finanças português rumo à presidência do Eurogrupo – cargo que assume substituindo numa cerimónia em Paris o holandês Jeroen Dijsselbloem - até nem foi dado pelo próprio Mário Centeno, mas sim por Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal.


Centeno era há já vários anos o número dois do departamento de estudos do Banco de Portugal e, quando em 2013 o lugar de director vagou, apresentou a sua candidatura, num passo visto como natural na sua carreira académica e de investigação económica, onde se tinha destacado principalmente na área do funcionamento do mercado de trabalho. Esse passo natural contudo não se concretizou.(Ler tudo...)

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

"Uma extraordinária falta de ética"

Direcção Editorial do “Publico”
Primeiro, pomos de parte a extrema soberba e o auto-deslumbramento que faz corar o mais vaidoso dos humanos. A seguir, pomos de parte a chocante devassa da vida privada de pessoas vivas e mortas. Depois, pomos de parte o rol de mexericos irrelevantes. E, finalmente, ignoramos as observações ridículas, como a de Passos Coelho dar apertos de mão que transmitem “confiança” apesar das suas “mãos muito brancas e quase femininas”.

Cumprido o exercício, o que fica para ser debatido? A extraordinária falta de ética jornalística de um homem que foi director do semanário Expresso durante 22 anos.


Na capa do seu novo livro Eu e os Políticos, José António Saraiva anuncia em subtítulo: “O que não pude (ou não quis) escrever até hoje”. De imediato, não se compreende o que terá mudado em relação a “poder” escrever. É verdade que JAS já não é director do Sol, apenas… (continua)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

"O grande facilitador"

(Pedro Marques Lopes em artigo de Opinião)
Durão Barroso nunca foi um político, foi alguém que andou na política. Estar na política pressupõe ter como primeiro pensamento servir os outros. Ora, o sócio do Clube Bilderberg, o professor do Instituto Politécnico de Macau, o membro do conselho internacional da Ópera de Madrid, o chairman da UEFA Foudation for Children, o professor convidado da Universidade de Princeton, o homem do Institute of Public Policy de Belgrado, o consultor da McDonough, o administrador do The European, o presidente da Fundação do Palácio de Belas-Artes de Bruxelas, o copresidente do centro europeu para a cultura, o presidente honorário da European Business Summit, o administrador de mais uma série de conselhos e palestrante em tudo o que é sítio nunca esteve interessado em servir a comunidade. O homem sempre foi um facilitador.
 E depois de ter andando a construir, com cuidado e habilidade, a sua carreira, chegou ao topo: tornou-se o facilitador-mor. O homem que vai facilitar para o maior banco de "investimentos" do mundo… (ler artigo)



sexta-feira, 3 de junho de 2016

Isto sim...é a política da direita!

Artigo de Vital Moreira: “Noviconstituição”
 “Todos têm a liberdade individual de frequentar o ensino privado em vez do ensino público, visto que este não é obrigatório; mas todos têm direito ao ensino público (como têm o direito de recorrer ao SNS ou ao sistema público de segurança social) sem terem de recorrer ao ensino privado.”
“…em 2010, Passos Coelho propunha a substituição do art. 75.º da Constituição, que passaria a dizer que o Estado assegura a cobertura das necessidades de ensino de toda a população, através da existência de uma rede de estabelecimentos públicos, particulares e cooperativos, promovendo a efectiva liberdade de escolha”. (ler tudo)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O “Zé” paga. O Chico esperto usa os meus €s

Os contratos de associação, o Presidente, o Cardeal e, já agora o Papa.
(Artigo de opinião por Santana Castilho)
Existem problemas bem mais graves que aquele que ocupa a actualidade política há quase um mês: porque o Governo decidiu (e bem) não continuar a financiar alunos de colégios privados que operem em zonas onde existam vagas em escolas públicas, criou-se um alarme social que já mereceu referências (particularmente significativas e nada inocentes) do Cardeal Patriarca e do Presidente da República.  
 Toda a polémica respeita a 3% (79 escolas, para ser exacto) de toda a rede de ensino privado, composta por 2.628 escolas. Mas rápida e maliciosamente foi apresentada como um ataque a todo o ensino privado. Estas 79 escolas propalaram a probabilidade falsa de virem a ser despedidos cerca de quatro mil professores, quando esse número representa a totalidade do seu corpo docente e o Estado já garantiu, reiteradamente, que nenhum aluno, de nenhum ciclo de estudos em curso, deixará de ser financiado. (ler artigo)

sábado, 26 de março de 2016

Passos Coelho já não se ri !...

Opinião de Bernardo Ferrão
No dia em que Mário Centeno se estreou no Parlamento, já lá vão três meses, foram notícia as gargalhadas de Passos Coelho. Sentado no seu novo lugar, na primeira fila da oposição, enquanto ouvia o ministro, o ex-PM ria-se muito. E com gosto. Na semana passada, quando o Orçamento do Estado foi aprovado, Passos já não se riu, bem pelo contrário, esteve sisudo, esfíngico mesmo – pudera! António Costa tinha superado mais uma etapa.
Toda a gente reconhece, incluindo o próprio primeiro-ministro, que, apesar dos obstáculos que têm sido ultrapassados… (ler tudo)

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Não lhes perdoo!

Acaba hoje aquela que constitui a mais penosa experiência política a que me foi dado assistir na minha vida adulta em democracia. Salvaguardadas as excepções que sempre existem, quero dizer que nunca me senti tão distante de uma governação como daquela que este país sofreu desde 2011.
 Não duvido que alguns dos governantes que hoje transitam para o passado tentaram fazer o seu melhor ao longo destes cerca de quatro anos e meio. Em alguns deles detectei mesmo competência técnica e profissional, fidelidade a uma linha de orientação que consideraram ser a melhor para o país que lhes calhou governarem. Mas há coisas que, na globalidade do governo a que pertenceram, nunca lhes perdoarei.
 Desde logo, a mentira, a descarada mentira com que conquistaram os votos crédulos dos portugueses em 2011, para, poucas semanas depois, virem a pôr em prática uma governação em que viriam a fazer precisamente o contrário daquilo que haviam prometido. As palavras fortes existem para serem usadas e a isso chama-se desonestidade política. (ler artigo complecto)

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Olha para o que eu digo...

Pelo título e pelo autor do artigo, fixei a leitura aqui e fiquei a saber mais sobre este futuro candidato.
Quando Rui Sá escreve, É que Rio, enquanto presidente da Câmara, montou um verdadeiro império comunicacional, que incluía uma luxuosa revista, um site, um canal de televisão e painéis eletrónicos espalhados pela cidade (que passavam mensagens políticas). Alimentado por uma equipa que incluía o seu chefe de Gabinete (administrador de um grupo de Comunicação Social), diversos jornalistas profissionais e muito dinheiro público. Esperava-se que Rio, como chefe deste grupo de Comunicação Social, fosse coerente com o que diz defender. Mas tal não aconteceu. Rio serviu-se de dinheiros públicos para atacar os seus adversários políticos (alguns dos quais eleitos municipais e a quem não dava o direito de livremente defenderem os seus pontos de vista), deturpava e/ou truncava as opiniões dos seus opositores, dava cobertura a meiasverdades e, muitas vezes, mentia deliberadamente.está a dar-me a conhecer mais um politico à portuguesa.
Grato Engº Rui Sá. Mais um em quem não votarei.


terça-feira, 30 de junho de 2015

E ficam dezoito?

O que se passa na Grécia devia ser motivo de um amplo debate em Portugal. Não é. Os partidos com representação na Assembleia da República, salvo raras exceções, limitam-se a palavras de circunstância sem a mínima clareza, tentam passar entre os pingos da borrasca a pensar nas eleições que se aproximam. Aqui ao lado, em Espanha, no domingo à noite, foi convocada uma reunião de emergência para analisar as consequências da crise grega. Em Portugal, vive-se o tal conto de crianças: querem fazer-nos acreditar que sairemos incólumes desta rotura. Não sairemos nós, não sairá a Europa.
Aníbal Cavaco Silva, o mais alto dignitário da nação, numa declaração plena de cinismo, lamenta: gostaria que a Grécia se mantivesse no euro. Mas, se tiver de sair, ficam 18.
O senhor presidente da República parece não perceber o momento que vivemos. Os eurocratas europeus...


Paula Ferreira-JN

terça-feira, 3 de março de 2015

Passos pagou. Assunto encerrado?

 Não há quem não saiba. Quando se recebe um salário ou uma avença, quando se tem um contrato de trabalho ou se passam recibos verdes, seja a quantia a receber generosa, sofrível ou miserável, há dois impostos a que não se escapa: um é o famigerado IRS, o outro é a contribuição para a Segurança Social….(Ler mais)
O Estado não perdoa um cêntimo? Enfim, há pelo menos um trabalhador português a quem, pelos vistos, perdoa. E curiosamente também se chama Pedro Passos Coelho e exerce o cargo de primeiro-ministro de Portugal. Ao contrário de dezenas de milhares de portugueses que, em 2007 e 2008, foram convocados à pressa pela Segurança Social, para pagarem o que deviam, a notificação que devia ter seguido para Passos Coelho terá ficado esquecida numa gaveta qualquer.
Questionado sobre tudo isto pelo jornal "Público", Passos Coelho acrescentou um brinde: até já sabia do calote desde 2012, mas deixou-se ficar sossegado, era assunto já prescrito. Ainda assim, tencionava pagar, mas só depois de terminar o mandato como primeiro-ministro. Como ficámos a saber, também este fim de semana, Passos Coelho espera que o povo lhe renove o mandato por mais quatro anos. Portanto, saldaria as contas lá para 2019. Mas já que o jornalista levantava a questão, não se falava mais nisso. Arranjou tempo entre numerosos afazeres e pagou a dívida. Assunto encerrado?
Rafael Barbosa, JN

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Apanhar enguias num saco de serpentes

Admitamos que nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra ou depois de uma caçada. Ora, temos pela frente um ciclo político de escolhas decisivas, num ano marcado por eleições legislativas e, logo depois, presidenciais. Estejamos pois prevenidos, porque já ecoam as trombetas. Seja qual for o desfecho das primeiras, há uma realidade que não podemos iludir e uma esperança que seria criminoso defraudar. À chaga do desemprego - que por sua vez gera pobreza, miséria, exclusão e insegurança - é a face mais rugosa da nossa realidade. Tão dramática que impõe respostas, pactos, criatividade e soluções de grande consenso, entre os principais partidos. Sem paliativos. Mais de um milhão de portugueses aptos a trabalhar continuam sem trabalho, logo sem salário. É um em cada cinco e, pior ainda, um em cada três entre os mais novos. E todos temos casos: na família, entre os amigos, na vizinhança. (Ler mais)
Afonso Camões,  Jornal JN

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O talhante, o mordomo e o radical

1 Niko, 35 anos, talhante no mercado Varvakeios, não tem excessivas ilusões quanto ao futuro do seu país. Queria uma mudança, "qualquer que ela fosse", e foi por isso que votou no Syriza. Cruzei--me com ele em Atenas e, apesar do pessimismo latente, fez questão de acrescentar uma porção de esperança. "Espero que os povos de Portugal, Espanha e até da Itália, que também estão a passar por grandes dificuldades, estejam solidários connosco e que, juntos, possamos mudar as coisas na Europa". A resposta que afoga esta expectativa de solidariedade mediterrânica entre povos sujeitos às bestialidades de uma política cega de austeridade, acabei por a receber uns dias depois, à chegada a Portugal, quando deparei na bizarra reacção do nosso primeiro-ministro ao resultado eleitoral grego. Passos Coelho olha para a Grécia e só vislumbra um "conto de crianças". O mordomo de Angela Merkel não seria capaz de dizer melhor.
2 Se as opiniões sobre Alexis Tsipras fossem expressas através de um gráfico, formariam um "U". (ler mais)
Rafael Barbosa, Editor-executivo JN

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Porque que é que a esquerda não casa?


Ao contrário do que se passou na Grécia onde o Syriza serviu para agregar vários partidos da extrema-esquerda em torno de um programa e, assim, federar o descontentamento, em Portugal, a esquerda insiste na fragmentação. Além dos partidos tradicionais, PCP e Bloco, há uma paleta imensa de forças políticas e associações que, movidas pelo sectarismo e pelos ódios pessoais, se mostram incapazes de se juntar. E essa é apenas uma das razões que ajuda a explicar porque razão a esquerda radical cá do burgo não conseguirá repetir o feito do Syriza. Outra, bem mais estruturante, é que, de facto, Portugal não é a Grécia. Com um número de habitantes mais ou menos semelhante nos dois países, os gregos têm uma taxa de desemprego (27%) que é o dobro da portuguesa.
Por mais elevado que seja, e é, o desespero dos portugueses não atingiu ainda a cólera e a humilhação dos gregos. A juntar a isto, não se vislumbra no panorama político português nenhum líder com o carisma e a capacidade de mobilização de Alexis Tsipras. Por fim, e este talvez seja o ponto mais importante, ao contrário do Syriza que se assumiu como verdadeira alternativa de poder, os partidos mais à esquerda em Portugal preferem a comodismo da oposição e a comodidade de não terem de assumir responsabilidades governativas. Enquanto se comportarem assim, os portugueses nunca vislumbrarão ali alternativa.
Nuno Saraiva, DN

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Este país não é para doentes

A morte de um idoso num serviço de urgência pode ser uma inevitabilidade, por mais dolorosa que seja para a família. Aos profissionais de saúde falta o dom divino de fazer milagres. Mas um idoso morrer na urgência sem ser visto por ninguém habilitado para esse fim é uma indignidade. Uma indignidade extrema, que merece reflexão e resposta célere. Desde o Natal, oito portugueses faleceram nos serviços de urgência e não eram todos idosos. Um traço comum os une na fatalidade: falta de assistência. Ora, assistência é precisamente o que as pessoas diligenciam nos hospitais. É tempo de as administrações hospitalares agirem. Ou seja: escalar médicos e enfermeiros suficientes para cobrir as necessidades. Perante estes casos, se afigura também indigna a desculpa de que o Ministério da Saúde não autoriza a contratação de pessoal e o aumento da despesa. A vida das pessoas está primeiro. (Ler mais)
Paula Ferreira, JN

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Cavaco Silva...

Se há uma pessoa que personifica o actual sistema político e económico português, essa pessoa chama-se Aníbal Cavaco Silva.
Ninguém melhor do que ele simboliza a decadência do regime, a opacidade do seu funcionamento, a promiscuidade entre o poder político e o económico e financeiro, a descredibilização das instituições democráticas e a falência do sistema de justiça. Basta atentar na sua mensagem de Ano Novo, onde, entre outras pérolas, apela ao voto nos dois principais partidos do sistema, para – disse ele – obstar ao populismo. Cavaco Silva iniciou a sua ascensão política contra o Bloco Central (coligação entre o PS e o PSD) e acaba a defender um entendimento entre esses dois partidos porque ele sabe como ninguém quão convergentes são os interesses das respetivas clientelas político-económicas. Descontando o tempo em que foi ministro de Sá Carneiro e o da conspiração que se lhe seguiu contra um governo liderado pelo seu próprio partido, Cavaco esteve no poder dez anos como primeiro-ministro e outros dez como Presidente da República. Mas fala da política e dos políticos com a hipócrita repugnância de quem não desce a esse nível, esperando assim obter os benefícios de dois mundos incompatíveis. Eis um exemplo – aqui sim – do mais primário populismo. Pelo meio compra e vende ações (que não estavam no mercado) do BPN com lucros superiores a 100 por cento, torna-se proprietário de uma mansão de milionário, apoiou (-se em) Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa, os quais fizeram fortunas ao seu lado. Além disso, traiu Fernando Nogueira (a quem devia o lugar de presidente do PSD), promoveu Durão Barroso, desvalorizou o escândalo Costa Freire-Zézé Beleza e o dos perdões fiscais e usou grande parte dos fundos comunitários para puro eleitoralismo. Que lugar terá na história um Presidente da República que garantia aos portugueses a idoneidade de um banco (o BES) apenas três semanas antes de esse banco se desfazer escandalosamente? Sem dúvida que ele será olhado no futuro como o símbolo e principal responsável político de um modelo financeiro que, com a cumplicidade dos partidos do sistema, funcionou como um casino até se desmoronar estrondosamente.
Marinho e Pinto-eurodeputado (in CM)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Culpados do desastre

As audições parlamentares sobre o colapso do BES já são suficientes para confirmar que esta tragédia podia ter sido evitada
Um dos maiores e mais relevantes bancos da economia portuguesa acabou por ser cobaia de nova legislação europeia, prejudicando directamente milhares de accionistas, obrigacionistas, trabalhadores que vão ser despedidos e empresas que ficaram sem crédito. A maior quota de responsabilidade deste desastre é necessariamente da administração do banco e de Ricardo Salgado, que contaminaram o BES com activos tóxicos do GES e ficaram sujeitos a uma exposição perigosa ao banco de Angola, cujo controlo de gestão perderam. Mas o Banco de Portugal e o Governo também não ficam isentos de culpas.
Armando esteves Pereira, Director-adjunto CM

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

As Moscas

Há dias, pela televisão, conheci o sr. Manuel Agonia.
Creio que a televisão era a SIC, sempre pressurosa e solícita em noticiar episódios que tenham como protagonistas ministros, empresários e afins. O sr. Manuel Agonia, pelo que vi, é um senhor considerável, robusto e, até, um pouco bojudo, que me fez lembrar os desenhos de George Grosz. Faltava-lhe o charuto, no que lhe sobrava de sobranceria. Em posição subalterna, porém muito satisfeito e feliz, caminhavam Pedro Passos Coelho e uma comitiva sorridente. O sr. Agonia, pelo que soube a seguir, é o presidente do conselho de administração do Hospital Senhor do Bonfim, em Vila do Conde, recém-inaugurado. Tudo isto decorre numa nítida perfeição, inclusive os sorrisos, as palmas e os discursos de circunstância. Foi quando a festa se toldou, pois o sr. Agonia, presidente, disse: "É preciso não esquecer que a saúde é um negócio." Caímos na realidade, porque a frase, só na aparência inócua, comporta, no seu bojo, uma doutrina, um projecto e uma alteração social que não devem ser negligenciados. Se queres ter saúde, paga-a. Se não tiveres dinheiro, morre para aí, despejado pela miséria. (Ler mais)
Baptista Bastos, Jornalista

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Prostituição dourada

Em Março de 2012, Paulo Portas anunciava a criação de títulos de residência especiais para cidadãos estrangeiros, oriundos de fora do espaço Schengen, que adquirissem activos imobiliários de valor superior a 750 mil euros em Portugal ou fizessem um investimento com criação de, pelo menos, 30 postos de trabalho. Entre o anúncio e a lei dos vistos dourados aprovada, o investimento necessário diminuiu para 500 mil euros e o número de postos de trabalho a criar para dez, tendo sido acrescentada a possibilidade de transferência/depósito de um milhão de euros.
Em Agosto deste ano, o MNE anunciava "vistos gold já trouxeram para Portugal 817 milhões de euros" nos 1360 vistos atribuídos.
Posteriormente às primeiras (sublinho, primeiras) suspeitas de corrupção vindas a público, que se circunscrevem, por enquanto (sublinho, por enquanto), a altos dirigentes da administração pública, Maria Luís Albuquerque afirmou no Parlamento Europeu que o programa tem sido muito útil a Portugal.
Admito que o programa esteja a ser muito útil para quem vive dos fluxos de capital, como é o caso do conselheiro de Estado Luís Marques Mendes - a sua sociedade de advogados tratou de um terço
dos vistos e parece que também já participa no negócio imobiliário de venda de casas de luxo -, mas para Portugal, não.
O governo não revela o número de postos de trabalho criados com esta iniciativa ou os impostos arrecadados (obviamente, escassos), confundindo, mais uma vez, os proveitos de alguns com o interesse colectivo.
A ideia de um país poder vender os seus títulos de residência é passível de ser discutida, mas deverá ser entendida como uma forma de prostituição. Uma forma de prostituição que nos deve envergonhar sempre que se recusa um visto a quem trabalha pelo país e não tem dinheiro para o pagar. Nos vistos dourados, o Estado vende algo que nos pertence a todos por um valor que só alguns podem pagar, com a particularidade de, no quadro do proxenetismo reinante, não sobrar uma côdea para quem dá o corpo ao manifesto.
Tiago Mota Saraiva,jornal i 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Estranha supervisão

As audições sobre o escândalo BES/GES confirmam que as excelentíssimas autoridades reguladoras funcionam quando tudo corre bem. Em caso de falhas, como nos crimes do BPN ou nos esquemas do BES, notam-se erros primários.
O Banco de Portugal não contactou o regulador dos seguros no penhor da Tranquilidade e avisou demasiado tarde a CMVM, permitindo que os tubarões da Bolsa enganassem milhares de pequenos investidores que compraram gato por lebre em ações do BES. E, qual cereja no topo do bolo, Carlos Costa não afastou Ricardo Salgado após se saber da fuga de milhões no Monte Branco, porque protegeu o direito constitucional do banqueiro à liberdade de escolha da profissão.
Armando Esteves Pereira, Director-adjunto CM