quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Quem sou eu?

Nesta altura da vida já não sei mais quem sou ...
Vê só que dilema !!!
Na ficha de qualquer loja sou CLIENTE,
no restaurante FREGUÊS,
quando alugo uma casa sou INQUILINO,
nos transportes públicos e em viatura particular sou PASSAGEIRO,
nos correios REMETENTE,
no supermercado (e lojas também) sou CONSUMIDOR.
Nos serviços sociais sou UTENTE.
Para  o estado sou CONTRIBUINTE,
se vendo algo importado sou CONTRABANDISTA.
Se revendo algo, sou VIGARISTA,
se não pago impostos sou SONEGADOR,
se descubro uma maneira de pagar um pouco menos, sou CORRUPTO.
Para votar sou ELEITOR,
para os sindicatos sou MASSA SALARIAL , em viagens TURISTA ,
na rua caminhando PEDESTRE,
se passeio, sou TRANSEUNTE,
se sou atropelado ACIDENTADO,
no hospital PACIENTE.
Nos jornais viro VÍTIMA,
se leio um livro sou LEITOR,
se ouço rádio OUVINTE.
A ver um espectáculo sou ESPECTADOR,
a ver televisão sou TELESPECTADOR,
no campo de futebol sou ADEPTO.
Na Igreja católica, sou IRMÃO.
E, quando morrer... uns dirão que sou... FINADO, outros... DEFUNTO, para outros... EXTINTO, para o “mundo”... MAIS UM QUE DEIXOU DE FUMAR... Em certos círculos espiritualistas serei... DESENCARNADO, os evangélicos dirão que fui... ARREBATADO...
E o pior de tudo é que, para os governantes sou apenas um IMBECIL. 
Pensar que um dia quis ser EU… SIMPLESMENTE.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Carta do Cónego Rui Osório

É preciso chegarmos a velhos para que o Estado faça pouco de nós, somando os seus maus tratos às nossas fragilidades».
Durante a minha vida profissional, ninguém me explicou a eventualidade de, um dia, um Governo português decidir diminuir a pensão a que teria direito quando cumprisse os 65 anos e por ter sido honesto nas minhas obrigações, com o privilégio de ter trabalhado em empresas cumpridoras. Pensava, ingenuamente, que o Governo, a ser democrático, como tanto desejava, seria pessoa de bem.
Foi uma ilusão, que tenho pago caro, ter sido tão ingénuo! Puro engano!
Acreditei de boa-fé na seriedade e fiabilidade dos compromissos e, afinal, tenho vindo a ser esbulhado na minha pensão, com sacrifícios que pesam - e isso ainda me faz sofrer mais - na vida de tantos reformados, alguns dos quais, da minha geração, estão a ser o suporte de retaguarda de filhos desempregados e de netos que crescem para a vida.
Estamos, para bem, a viver uma esperança de vida alargada, mas, para mal, a pagar uma fatura muito cara, que nos desgraça impunemente a qualidade de vida!
Sou do tempo em que entravam nos cofres públicos mais contribuições de quem exercia ativamente a sua vida profissional do que os custos que o Estado suportava a pagar pensões. Mesmo assim, nunca acusei o Estado de se servir desses fundos para cobrir, não sei se com acerto e justiça, os seus défices e em que áreas era deficitário e que precisariam das contribuições de trabalhadores honrados.
É preciso chegarmos a velhos para que o Estado faça pouco de nós, somando os seus maus tratos às nossas fragilidades, agravando-as até a uma pesada amargura. Trata-nos como pessoas descartáveis, usando-as e deitando-as fora.
Chega-nos agora a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) como mais um veneno a matar-nos a esperança. Se não é um imposto, o que será para, ao menos, entendermos se vale a pena tantos sacrifícios?
Lamento ter andado uma vida longa a aconselhar a ética dos impostos para convencer as pessoas a ter respeito pelo bem comum que nos competiria salvaguardar e não apenas ao Estado. Vivendo do meu salário de profissional da Imprensa, estatuto que sempre teve a concordância explícita dos meus bispos, decidi renunciar a qualquer legítima remuneração por serviços pastorais, exercendo o ministério sacerdotal em regime de voluntariado. O salário chegava-me, como sonhava que a reforma também me bastaria. Mais um engano na minha ingenuidade, espoliada e maltratada por um Governo sanguessuga.
Não estou arrependido por ter semeado o bem. A minha consciência social não a troco por nada. Considero a CES uma abusiva e vergonhosa arbitrariedade. Como escrevia, há dias, Bagão Félix, ex-ministro das Finanças, «a ideologia punitiva sobre os mais velhos prossegue entre um muro de indiferença, um biombo de manipulação, uma ausência de reflexão coletiva e uma tecnocracia gélida».
Cónego Rui Osório
In Voz Portucalense, 22.1.2014

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Milagre

O limiar de sustentabilidade da dívida pública de um país anda nos 60% do seu PIB. Como a dívida portuguesa vai nos 130% e não há forma de, nos próximos anos, o Estado ter superávites orçamentais, continuaremos a pedir emprestado para pagar as nossas despesas. Resultado, a dívida pública portuguesa é cada vez maior e menos pagável. Alheados disto, o governo e a doce oposição discutem a melhor forma de tirar a troika daqui para fora. Já se sabe que no dia 13 de Maio, este agrupamento de malfeitores vai a Fátima rezar pela expiação dos seus pecados e que, depois de fazerem as malas durante o fim-de-semana, deixam Lisboa no dia 17.
Mas enquanto uns se excitam com a possibilidade de uma saída limpa (quer dizer, sem o humilhante aval dos nossos parceiros europeus), outros preferem a saída suja (quer dizer, com o reconfortante aval dos nossos parceiros europeus). Mas esta discussão é a mesma coisa que importunar um doente em estado crítico, para saber se ele vai pagar os seus tratamentos com dinheiro ou multibanco (o que o homem quer saber é como se cura da sua maleita). O que nos acontecerá quando a dívida pública atingir os 135, 140, 150% do PIB? Se sairmos de uma forma limpa, quem é o credor que daqui a um ou dois anos nos continuará a emprestar dinheiro? E se sairmos da forma suja, até quando vão os senhores da Europa garantir-nos o seu aval? É certo que hoje Portugal beneficia de uma imprensa internacional favorável, que nos distingue até como um milagre económico. Mas, de facto, a nossa condição económica e financeira é muito pior do que há dois ou três anos atrás (mais défice, mais dívida, mais desemprego, menos PIB). Em Portugal, não há nenhum milagre económico. Há é um buraco cada vez maior e bem à nossa frente. Milagre era saber como o vamos pagar
José Diogo Madeira, jornal i

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Parábola do rato

Certo dia, um homem entrou numa loja de antiguidades, e deparou-se com uma belíssima estátua de um rato.
Perante a beleza da obra de arte, correu  para o balcão e perguntou o preço ao vendedor:
- Quanto custa?
- A peça custa 50€ e a história do rato custa 1.000€
- O quê? Você está maluco?
- Vou levar só a obra de arte.
Feliz e contente o homem saiu da loja com sua estátua debaixo do braço.
À medida que ia andando, percebeu mortificado, que inúmeros ratos, saíam das lixeiras e sarjetas na rua, e passaram a segui-lo.
Correndo desesperado, o homem foi até o cais do porto, e atirou a peça com toda a sua força, para o meio do oceano.
Incrédulo, viu toda aquela horda de ratazanas atirarem-se atrás e morrerem afogadas.
Ainda sem forças, o homem voltou para o antiquário e o vendedor disse:
- Veio comprar a história, não é?
- Não, eu quero é saber se você tem uma estátua do Passos Coelho.!!!!!!!!!!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

À Beira, de comboio

Ir de Lisboa à Beira (a Baixa) por via-férrea era outrora uma viagem deslumbrante: vale do Tejo, Constança, Portas do Ródão, Castelo de Almourol, paisagens desfrutadas de comboio, em compartimentos de patine e afago.
Ir de Lisboa à Beira Baixa por via-férrea, hoje, tornou-se penoso e, para quem parte da Gare do Oriente, tenebroso, a estação a revelar-se um desarvorado ataque à saúde de quem, sobretudo no Inverno, a utiliza.
Carrossel de frio, de chuva, de correntes de ar, de correntes de vento, revela, na sua gongórica arquitectura inumana, total desprezo pela dignidade dos que a utilizam.
Não há por certo construção pública entre nós tão geradora de desabrigos e incómodos como a dita gare, cujos responsáveis (da sua aprovação e negócio) deviam ser questionados.
Ir de Lisboa à Beira Baixa por via--férrea fez-se deslocação espinoteante em composições a fingirem de modernas, sem conforto, sem insonorização, sem climatização, sem bar (apenas uma ínfima máquina de cafés e chocolates), sem charme nem identidade – comboios de pindéricas linhas suburbanas, não (como foram no passado) de aprazíveis linhas nacionais.
Como foi possível fazer tal desconsideração às gentes de Castelo Branco, Alpedrinha, Fundão, Covilhã? Zonas de vultos como, entre outros, António Ramalho Eanes, Vergílio Ferreira, Eugénio de Andrade, Eduardo Lourenço, Robles Monteiro, Maria Lalande, Cargaleiro, António Paulouro, Vasco Lourenço, António Guterres, José Sócrates.
Tudo estão a tirar às Beiras: jovens, transportes, escolas, correios, freguesias, memórias, tribunais, hospitais, jornais – jornais que acabam de revelar terem as auto-estradas da região perdido 40 por cento de tráfego e a CP 47 milhões (em quatro anos) de passageiros. Admiram-se?
 Fernando Dacosta, jornal i

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Somos conhecidos há seculos!

"Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho que não se governa nem se deixa governar!" 
-Galba, general romano, um dos primeiros governadores na península Ibérica, referindo-se aos lusitanos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Despedir "à lá carte"

Já lá vai o tempo em que os patrões tinham razões para culpar a rigidez da lei, que lhes dificultava a gestão da força de trabalho.
Agora, e depois da legislação do ex-ministro Álvaro Santos Pereira, o despedimento passou a ser fácil e barato. Acabou o álibi tantas vezes repetido para a falta de contratação de pessoas. A lei mudou, o obstáculo foi eliminado e, em vez de facilitar a criação de empregos, tornou menos dispendiosas as rescisões. Mas o Governo aprovou uma nova proposta, anunciada pelo ministro Mota Soares, que facilita ainda mais os despedimentos, com cinco critérios, que, como alguém disse, se reduzem a dois: pode-se despedir por tudo e por nada. Despedimentos ‘à lá carte’.
Armando Esteves Pereira, director-adjunto CM

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

É preciso trabalhar

Joana Petiz,Dinheiro Vivo
Uma carreira de sucesso não cai do céu. Claro que estar no sítio certo à hora certa ajuda, mas é preciso realmente trabalhar e mostrar o que vale se quer subir na vida e não ser constantemente ultrapassado.
Em alturas de crise há mais profissionais disponíveis para aceitar qualquer lugar (quase) a qualquer preço, mas também é verdade que as empresas só arriscam contratar se tiverem a certeza de que não lhes vai sair gato por lebre. Se quer ser considerado para um lugar, precisa de pôr de parte a ideia de que não compensa esforçar-se mais do que os outros e começar a tornar-se indispensável. Manter-se atento às necessidades que vão surgindo na empresa e oferecer-se para ir além das suas funções, mesmo que seja fora da sua área de acção, mostrar-se disponível para aprender e aceitar novas possibilidades é meio caminho andado. E não vale a pena ter medo de falhar: afinal, está a nadar fora de pé. Desde que o erro não ponha em causa a própria empresa e não tenha sido provocado, tudo se resolve - e pelo caminho aprenderá mais qualquer coisa.
Ricky Cohen, autor do best-seller Risk to Succeed - método através do qual multiplicou por 40 os resultados nas suas lojas -, garante que não há piores inimigos da sua carreira do que o medo e a letargia. Deixar-se ficar na sua área de conforto e rejeitar desafios, seja por receio de errar seja apenas porque está bastante confortável na cadeira onde se senta todos os dias exactamente o mesmo número de horas, é mesmo a receita para o desastre. Não só não o fará sobressair como o atirará rapidamente para o lote de dispensáveis.
Por outro lado, se se esforçar permanentemente por ultrapassar as suas limitações, puxar a si novas competências, ajudar os outros em fases mais complicadas, é bastante provável que comecem a pensar em si sempre que for preciso ir mais além ou cumprir alguma tarefa nova.
Vai ter mais trabalho, certamente, mas a recompensa é quase garantida. As pessoas vistas como mais competentes, empenhadas e com maior capacidade de adaptação são naturalmente consideradas líderes e têm mais probabilidade de ser promovidas ou contratadas.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Piada sobre velhinhos

Um jornalista foi fazer uma reportagem a um asilo de velhos e pergunta a um velhote que estava sentado: - A que é que se deve a sua idade tão avançada?
 - Método, meu filho... Sempre tive uma hora certa para me deitar e para me levantar. O nosso organismo é uma máquina que precisa de método e horário.
O jornalista foi ter com outro e faz-lhe a mesma pergunta, ao que o velho responde:
 - Sempre evitei as mulheres, meu jovem!
 A seguir pergunta a outro:
- Eu nunca fumei, nunca bebi nem tive vícios de qualquer espécie.
O jornalista descobre o mais velho, o mais acabado, o mais enrugado de todos e muito admirado pergunta:
- Então, e o senhor, a que deve essa longevidade? Nunca teve vícios, festas ou mulheres?
 - Qual quê! Eu nunca tive horário para nada, muita borga, copos, fumava três maços de tabaco por dia, jogo, mulheres com força, noites e noites sem dormir, eu sei lá que mais...
- Então, e quantos anos é que tem?
- Trinta e dois.