sábado, 3 de maio de 2014

Um governo sem esperança

"Dar sentido útil aos sacrifícios dos portugueses" é baixar os impostos
1. Um governo de direita digno desse nome devia ter um discurso simples em termos orçamentais: cortar na despesa pública para baixar os impostos, fazer a reforma do Estado para cortar na carga fiscal. Um governo de direita verdadeiramente ambicioso devia ter o desígnio de fazer de Portugal um dos países europeus mais competitivos em termos fiscais, ao nível do IRS, do IRC e do IVA, ou, no mínimo dos mínimos, ser mais competitivo que Espanha. Só assim é possível promover e atrair investimento estrangeiro para promover o crescimento, só assim será possível libertar recursos para as famílias consumirem mais. Não é uma solução mágica para os nossos problemas económicos mas é um caminho de esperança - tudo o que este governo não conseguiu representar até agora.
Utilizando o código de linguagem de Paulo Portas, dar "sentido útil aos sacrifícios que a sociedade portuguesa como um todo tem feito" é baixar os impostos em 2015 – não é aumentá-los, como o governo anunciou esta semana. Passos Coelho, que faz dos portugueses tolos quando nega qualquer corte nos rendimentos, fez o que se esperava de António José Seguro: aumentou os impostos para promover a recuperação do poder de compra dos funcionários públicos e dos pensionistas.
2. Perante a impopularidade óbvia da política de austeridade, Passos Coelho devia ter um objectivo…Ler artigo complecto
Luís Rosa, jornal i

terça-feira, 29 de abril de 2014

Rotura social e governação por anúncio

O recurso às cantinas sociais aumentou 33% num ano. Vai em quase 50 mil pessoas por dia.
Em simultâneo com a afinação da ilustre reforma do Estado e do já famoso DEO – que em substância será a passagem a definitiva de toda a austeridade anunciada como provisória acrescida da eliminação de mais uma série de funcionários públicos –, o governo entrou na fase de lançar anúncios optimistas, enquanto os mais pobres vêem as suas situações agravadas.
A época pré-eleitoral que se vive tem sido explorada pelo executivo não com medidas efectivas de alívio do que quer que seja, mas com o anúncio de que está a preparar decisões concretas para o futuro próximo. É a arte do dois em um. Anuncia-se agora com tambores e trombetas que se vai adoptar uma nova política que favorecerá os mais pobres num futuro relativamente próximo. Remete-se, porém, a concretização para o ano que vem. Há assim dois ganhos possíveis no plano eleitoral: um imediato em véspera de europeias e outro mais para a frente quando se aproximarem as legislativas de 2015 e se efectivarem as medidas. Nada mau para quem se dizia indiferente aos ciclos eleitorais, embora se duvide que a saturada população portuguesa – sejam os pobres, sejam os remediados ou até os da classe média – ainda se deixe embalar por cantos de sereia.
A estratégia comunicacional passa também por anunciar…ler artigo complecto

Eduardo Oliveira Silva, jornal i

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O fisco é uma arma

A receita fiscal subiu 4,5 por cento nos primeiros três meses do ano.
Os cofres do Estado arrecadaram mais de oito mil milhões de euros e o Governo exulta. A eficácia fiscal é sempre uma boa notícia desde que associada a uma ideia de justiça, o que não parece ser o caso português. A subida da receita foi obtida essencialmente à conta de impostos que oneram a classe média e os trabalhadores por conta de outrem (IRS, IMI e impostos indiretos). A eufemisticamente chamada factura da sorte também deu um bom contributo. O Fisco prova na plenitude que é uma arma. Não contra a burguesia, como a cantiga há 40 anos, mas para confiscar o rendimento de quem trabalha.
Eduardo Dâmaso - CM