sábado, 15 de março de 2014

Os papistas e as pedras pretas

Esta semana li sobre o manifesto dos 70: os papistas de um lado – "esta economia mata" – as peças pretas do outro – "o mercado resolve".
De vez em quando passo os olhos nas páginas da secção de política dos jornais e também vejo os telejornais, embora só muito de vez em quando – não aguento mais do que uma vez por semana. Não é porque as notícias sejam todas más ou negativas, é porque são quase todas a preto e branco.
Há os de preto e há os de branco, como num jogo de xadrez. Não há nuances. O mundo da informação política é maniqueísta. Não é uma coisa nossa, embora por cá a opinião, que é bem mais barata do que a informação, seja, há muito, o pão nosso de cada dia. Se nos dermos ao trabalho de ouvir informação política norte-americana damo-nos conta do mesmo maniqueísmo.
Há tempos, Jon Stewart fez uma brilhante peça no Daily Show sobre o tema onde goza a pergunta "Is that a good thing or a bad thing?". Vale a pena ver aqui
A opinião triunfou sobre a informação, sobre os factos, sobre os números. A razão talvez seja económica, como referi: a opinião é muito mais barata do que a informação e mais facilmente manipulada. Para ter opinião basta abrir a boca. Pode ser uma boca mais culta ou menos culta, mais ou menos informada com alicerces mais ou menos sólidos, mas a opinião que de lá sai é sempre uma manifestação emocional; tem uma valência negativa ou positiva. É sempre a favor ou contra, acho/não acho, gosto/não gosto, bom/mau. Esta simetria anula-se e o valor das notícias baseadas em formatos de fórum, debate, contraditório, opinião é o impasse: o zero. (Ler mais)
Pedro Bidarra, psicossociólogo e autor

segunda-feira, 10 de março de 2014

O truque da raspadinha

Um perito alertou para o facto de o Fisco estar a incentivar o número de contribuinte nas faturas para criar perfis de consumo e fiscalizar os padrões de gastos face ao rendimento declarado.
A economia paralela é uma chaga social que penaliza os trabalhadores por conta de outrem e os pensionistas, que são os contribuintes que não têm meios de escapar às obrigações fiscais.
A generalização das faturas é uma boa medida para diminuir a evasão ao Fisco. No entanto, a ideia apadrinhada pelo secretário de Estado Paulo Núncio, a fatura da sorte, acaba também por ser um engodo. Por um punhado de euros de deduções fiscais, acrescido da possibilidade de participar na raspadinha fiscal, os cidadãos oferecem ao Fisco uma base de dados valiosa.

Armando Esteves Pereira, director-adjunto CM

sexta-feira, 7 de março de 2014

Curtinha...

Uma mulher entra numa loja de roupa e pergunta:

- Vendem roupa de noite?

- Não, de noite estamos fechados…

quinta-feira, 6 de março de 2014

A 100 dias do Mundial

É uma coincidência bizarra que o Carnaval tenha marcado os 100 dias para o Mundial.
No Brasil, a aventura começou com promessas de que tudo seria pago pelos privados. Hoje, a derrapagem para os dinheiros públicos é, afinal, assombrosa. Perante o atraso nas obras e a contestação social, a própria FIFA desconfia agora que talvez tenha sido um erro entregar a organização ao Brasil. Atenta à má fama que a candidatura a estas competições começa a ganhar, a UEFA alterou o modelo. Em 2020, o Europeu será organizado em 20 cidades. Em Portugal, há a tentação de candidatar Lisboa e Porto. É preciso estar atento: este pode ser um filme de terror a que dificilmente se resiste duas vezes.
Carlos Rodrigues, director-adjunto CM

quarta-feira, 5 de março de 2014

Sim...são grandes as diferenças!

Winston Churchill sabia o que distinguia a táctica da estratégia. Por isso o seu legado continua a ser sublinhado. Dizia ele: "A diferença entre um político e um estadista é que o primeiro pensa nas próximas eleições e o segundo na próxima geração".

Em Portugal quase todos pensam na próxima eleição. Muito poucos na próxima geração. ...

Fernando Sobral - A ferrugem do regime