quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

"Reacção ao discurso"...

Ex.º Sr. General Chefe do Gabinete de S. Ex.ª o Ministro da Defesa Nacional, Caro camarada:


Apresento a V. Ex.ª os meus cumprimentos.

Tomo a liberdade de me dirigir a V. Ex.ª para lhe solicitar que transmita a S. Ex.ª o Sr. Ministro a minha indignação relativamente à forma pouco respeitosa e mesmo insultuosa como se referiu às Forças Armadas, aos militares e às suas Associações representativas, no passado dia 1 de Fevereiro. De todos os governantes, o Ministro da tutela era o último que deveria proferir palavras dessa estirpe.

Sou Tenente-General Piloto-Aviador na situação de Reforma, cumpri 41 anos de serviço efectivo e possuo três medalhas de Serviços Distintos (uma delas com palma), duas medalhas de Mérito Militar (1.ª e 2.ª
classe) e a medalha de ouro de Comportamento Exemplar. Servi o meu País o melhor que pude e soube, com lealdade e com vocação, sentimentos que S. Ex.ª não hesita em por levianamente em causa.
Presentemente, faço parte com muito orgulho, do Conselho Deontológico da Associação de Oficiais das Forças Armadas.

Diz o Sr. Ministro que “a solução está em todos nós. Em cada um de nós”. Não é verdade! A solução está única e exclusivamente na substituição da classe política incompetente que nos tem governado (?) nos últimos 25 anos, e que nos tem levado, de vitória em vitória, até à derrota final! Os comuns cidadãos deste País, nomeadamente os militares, não têm qualquer responsabilidade neste descalabro. Como disse o Sr. Coronel Vasco Lourenço no seu livro, “os militares de Abril fizeram uma coisa muito bonita, mas os políticos encarregaram-se de a estragar…”

Diz também S. Ex.ª que as Forças Armadas estão a ser repensadas e reorganizadas. Ora, se existe algo que num País não pode ser repensado nem modificado quando dá jeito ou à mercê de conjunturas desfavoráveis, são as Forças Armadas, porque serão elas, as mesmas que a classe política vem sistematicamente vilipendiando e ultrajando, a única e última Instituição que defenderá o Estado da desintegração.

Fala o Sr. Ministro de algum descontentamento protagonizado por parte de alguns movimentos associativos. Se S. Ex.ª está convencido que o descontentamento de que fala se limita a “alguns movimentos associativos”, está a cometer um erro de análise muito sério e perigoso, e demonstra o desconhecimento completo do sentir dos homens e mulheres de que é o responsável político. Este descontentamento, que é geral, não tenha dúvida, tem vindo a ser gerado pela incompetência, sobranceria, despudor e, até, ilegalidade com que sucessivos governos têm vindo a tratar as Forças Armadas. É a reacção mais que natural de décadas de desconsiderações e de desprezo por quem (é importante relembrar isto) vos deu de mão beijada a possibilidade de governar este País democraticamente!

As Forças Armadas não querem fazer política! Não queiram os políticos, principalmente os mais responsáveis, “ensinar” aos militares o que é vocação, lealdade, verticalidade e sentido do dever. Mesmo que queiram, não podem fazê-lo, porque não possuem, nem a estatura nem o exemplo necessários para tal.

Quem tem vindo a tentar sistematicamente destruir a vocação e os pilares das Forças Armadas, como o Regulamento de Disciplina Militar, destroçado e adulterado pelo governo anterior? Quem elaborou as leis do Associativismo Militar, para depois não hesitar em ir contra o que lá se estabelece? Quem tem vindo a fazer o “impossível” para transformar os militares em meros funcionários do Estado? Apesar disso, tem alguma missão, qualquer que ela seja, ficado por cumprir?
Fala S. Ex.ª de falta de vocação baseado em que factos? Não aceita S.
Ex.ª o “delito de opinião”?

Não são seguramente os militares que estão no sítio errado!

Por tudo o que atrás deixei escrito, sinto-me profundamente ofendido pelas palavras do Sr. Ministro.


Com respeitosos cumprimentos de camaradagem

EDUARDO EUGÉNIO SILVESTRE DOS SANTOS

Tenente-General Piloto-Aviador (Ref.) 000229-B


P.S. Informo V. Ex.ª que tenho a intenção de tornar público este texto.

Seguranças, precisa-se...

O balão parece que está a ficar cheio e sem espaço para receber mais ar.
Veja-se as notícias aqui e aqui !

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Carta aberta ao Sr. Presidente da Republica


2012/02/01

Exmo. Senhor Presidente da República

Lisboa

Vou usar um meio hoje praticamente em desuso mas que, quanto a mim, é a forma mais correcta de o questionar, porque a avaliar pelas conversas que vou ouvindo por aqui e por ali, muitos portugueses gostariam de ver esclarecidas as dúvidas que vou colocar a V/Exa e é por tal razão que uso a forma “carta aberta”, carta que espero algum dos jornais a que a vou enviar com pedido de publicação dê à estampa, desejando que a resposta de V/Exa fosse também pública.
Tenho 74 nos, sou reformado, daqueles que descontou durante 41 anos, embora tenha trabalhado durante 48, para poder ter uma reforma e que, porque as pernas já me não permitem longas caminhadas e o dinheiro para os transportes e os espectáculos a que gostaria de assistir não abunda, passo uma parte do meu dia a ler, sei quantos cantos há nos Lusíadas, conheço Camilo, Eça, Ferreira de Castro, Aquilino, Florbela, Natália, Sofia e mais uns quantos de que penso V/Exa já terá ouvido falar e a “navegar na net”.
São precisamente as “modernices” com que tenho bastante dificuldade em lidar que motivam esta minha tomada de posição porquanto é aí que circulam a respeito de V/Exa afirmações que desprestigiam a figura máxima do País Portugal, que, em minha opinião, não pode estar sujeita a tais insinuações que espero V/Exa desminta categoricamente.
Passemos à frente das insinuações de que V/Exa foi 1º Ministro de Portugal durante mais de dez anos, época em que V/Exa vendeu as nossa pescas, a nossa agricultura, a nossa indústria a troco dos milhões da CEE, milhões que, ao contrário do que seria desejável, não serviram para qualquer modernização ou reforma do nosso País mas sim para encher os bolsos de alguns, curiosamente seus correligionários senão mesmos seus amigos. Acredito que esse tempo que vivemos sob o comando de V/Exa e que tanto mal nos fez foi apenas fruto de incompetência o que, sendo lamentável, não é crime, os crimes foram praticados por aqueles que se encheram à custa do regabofe, perdoe-me o popularismo, que se viveu nessa época e que, curiosamente, ou talvez não, continuam sem prestar contas à justiça.
Entremos então no que mais me choca, porque nesses outros comentários,
a maioria dos quais anónimos mas alguns assinados, é a honestidade de V/Exa que é posta em causa e eu não quero que o Presidente da República do meu país seja o indivíduo que alguns propalam pois que entendo que o cargo só pode ser ocupado por alguém em quem os portugueses se revejam como símbolo de coerência e honestidade, é assim que penso que nesta carta presto um favor a V/Exa, pois que respondendo às questões que vou colocar, findarão de vez as maledicências que, quero acreditar, são os escritos que por aí circulam.


1ª Questão:
Circula por aí um “escrito” que afirma que V/Exa, professor da Universidade Nova de Lisboa, após ser ministro das finanças, foi convidado para professor da Universidade Católica, cargo que aceitou sem se ter desvinculado da Nova o que motivou que lhe fosse movido um processo disciplinar por faltar injustificadamente às aulas da Nova, processo esse conducente ao despedimento com justa causa, que se teria perdido no gabinete do então ministro da educação, a quem competiria o despacho final, João de Deus Pinheiro, seu amigo e beneficiado depois de V/Exa ascender a 1º Ministro com o lugar de comissário europeu, lugar que desempenhou tão eficazmente que o levou a ficar conhecido como “comissário do golfe”.
Pergunta directa:
Foi ou não movido a V/Exa um processo disciplinar enquanto professor da Universidade Nova de Lisboa?
Se a resposta for afirmativa, qual o resultado desse processo?
Se a resposta for negativa é evidente que todas as informações que andam por aí a circular carecem de fundamento.

2ª Questão:
Circulam por aí vários escritos sobre a regularidade da transacção de acções do BPN que V/Exa adquiriu.
Sendo certo que as referidas acções não estavam cotadas em bolsa e portanto só poderiam ser transaccionadas por contactos directos, vulgo boca a boca, faço sobre a matéria várias perguntas:
1ª - Quem aconselhou a V/Exa tal investimento?
2 ª- A quem adquiriu V/Exa as referidas acções?
3ª- Em que data, de que forma e a quem vendeu V/Exa as acções?
4ª- Sendo V/Exa um renomado economista não estranhou um lucro de 140% numa aplicação de tão curto prazo?

3ª Questão
Tendo em atenção o que por aí circula sobre a Casa da Coelha, limito-me a fazer perguntas:
1ª- É ou não verdade que o negócio entre a casa de Albufeira e a casa da Coelha foi feito como permuta de imóveis do mesmo valor para evitar pagamento de impostos?
2ª- Se já foi saldada ao estado a diferença de impostos com que atraso em relação à escritura se processou a referida regularização?
3ª- É ou não verdade que as alterações nas obras feitas na casa da Coelha, nomeadamente a alteração das áreas de construção foram feitas sem conhecimento da autarquia?
4ª- A ser positiva a resposta à pergunta anterior se já foi sanado o problema resultante de obras feitas à revelia da autarquia, em que data foi feita tal regularização e se foi feita antes ou depois das obras estarem concluídas?
5ª- Última pergunta, esta de mera curiosidade, será que V/Exa já se lembra do cartório em que foi feita a escritura?

4ª- Questão
Esta não circula na Net, é uma questão que eu próprio lhe coloco:
Ouvi V/Exa na TV dizer que tinha uma reforma de 1300 €, que quase lhe não chegava para as despesas, passando fugazmente pela reforma do Banco de Portugal. Assim pergunto:
1ª- Quantas reformas têm V/Exa?
2ª- De que entidades e a que anos de serviços são devidas essas reformas?
3ª- Em quantas não recebe 13º e 14º mês?
4ª- Abdicou V/Exa do ordenado de PR por iniciativa própria ou por imposição legal?
5ª Recebe ou não V/Exa alguns milhares de euros como “despesas de representação”?

Fico a aguardar a resposta de V/Exa com o desejo de que a mesma seja de tal forma conclusiva e que, se V/Exa o achar conveniente, venha acompanhada de cópias de documentos, que provem a todos os portugueses que o que por aí circula na Net, não passam de calúnias e intrigas movidas contra a impoluta figura de Sua Exa o Senhor Presidente da República de Portugal.

A terminar e depois de recordar mais uma das suas afirmações na TV, lembro uma frase do meu avô, há muito falecido, alentejano, analfabeto e vertical: “ NÃO HÁ HOMENS MUITO OU POUCO SÉRIOS, HÁ HOMENS SÉRIOS E OUTRAS COISAS QUE PARECEM vivido, sério, HOMENS”. Por mim, com a idade que tenho já não preciso, nem quero nascer outra vez, basta-me morrer como tenho vivido.

Com os meus melhores cumprimentos;
José Nogueira Pardal

Os Marretas e a UE

Por; Fernando Sobral (Opinião no JNeg.)
Num dos mais fabulosos diálogos de "Os Marretas", Cocas vira-se para Fozzie e pergunta-lhe: "Onde é que aprendeste a conduzir?", e este responde-lhe: "Tirei um curso por correspondência". A UE está agora à mercê de múltiplos Cocas e Fozzies e todos tiraram a licença de governar por correspondência. Aquilo que nasceu para ser um conto de fadas, a UE, tornou-se um "reality show" de vampiros. Onde só interessa o sangue e as pessoas são dispensáveis. Em vez do paraíso serviu-se friamente o inferno aos países mais quentes. Depois da austeridade forçada a Grécia demorará muitos anos a recuperar. Portugal, atado à Grécia mesmo sem querer, poderá ser colocado de quarentena e vigilância no manicómio da UE. Há diferenças entre os dois países, como não se cansam de dizer os políticos portugueses. Há e são visíveis. Para o ministro grego das Finanças há uma fundamental: os portugueses têm mais paciência. Só que esta também é um copo de água e transborda.·
Quando, depois de múltiplas sevícias de austeridade, os portugueses continuarem a ver um desemprego galopante, a paciência não servirá nem para comer. Diálogo e paciência costumam ser o Cocas e o Fozzie da democracia. Hoje são formas de engolir a humilhação. A política seguida por sucessivos governantes e o seu clube de amigos está a ter uma capacidade notável para transformar uma agradável sociedade de consumo num beco de rebeliões. Aí se verá se a paciência se transforma em azeite e também é combustível. A austeridade é uma política. Mas não pode ser um fim. É por isso que o Governo tem de perceber que o saque fiscal tem limites.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Estórias para ler em família - A Sagrada Família


Com muita amizade e dívidas de gratidão sempre presentes…

Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa.

Mas o prestigiado académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.

Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessiva para o Prof. Cavaco Silva.

Como é natural, as faltas ás aulas, obviamente às aulas da Universidade Nova, começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.

A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.

Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.

Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro.

Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.

Até que, ninguém sabe bem como nem porquê…desapareceu sem deixar rasto…

E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.

Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro.

E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.

Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas gaffes, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e prognatismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constitui impedimento para o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.

De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.

A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita.

Estórias para ler em família A Sagrada Família

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Professores...

Num liceu do norte estava a acontecer uma coisa muito fora do comum.

Um "bando" de miúdas de 12 anos andava a pôr batom nos lábios, todos
os dias, e para remover o excesso beijavam o espelho da casa de banho.
O Conselho Executivo andava bastante preocupado, porque a funcionária da
limpeza tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao fim do dia e
no dia seguinte lá estavam outra vez as marcas de batom.

Um dia, um professor juntou as miúdas e a funcionária na casa de banho
e explicou que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas
marcas que elas faziam e, para demonstrar a dificuldade, pediu à
empregada para mostrar como é que ela fazia para limpar o espelho.

A empregada pegou numa "esfregona", molhou-a na sanita e passou-a
repetidamente no espelho até as marcas desaparecerem.

Nunca mais houve marcas no espelho...
  Há professores e educadores...

Portugal, uma cultura entre dois sistemas

Só a crise económica e a entrada em força das empresas chinesas em Portugal parece ter despertado novamente a memória adormecida: Portugal, mesmo sem quase reparar, sempre esteve ligado ao Oriente.  (J.N. digital)

Austeridade


Por: Pedro Bacelar de Vasconcelos (Opinião-J.N.)

2011 foi o ano de todos os equívocos, com um governo minoritário que obstinadamente recusava dramatizar a gravidade da crise financeira que há muito assolava o país e os portugueses, ao mesmo tempo que ia negociando arduamente a adopção de sucessivos "planos de estabilidade" que impunham sempre novos sacrifícios invariavelmente denunciados como excessivos, em uníssono, por toda a oposição parlamentar e pelo presidente. Precisamente, o Governo caiu em consequência da condenação unânime pelos partidos da Oposição, de um programa de "austeridade" para cuja aprovação, o primeiro-ministro tinha já assegurado o apoio da União Europeia. Ao contrário da Grécia de Papandreou e da Itália de Berlusconi, o presidente português não se bastou com a demissão do Governo e decidiu, em plena crise, dissolver a Assembleia da República eleita há pouco mais de um ano e convocar novas eleições.
E foi assim que chegamos à situação paradoxal de colocar um governo de transição, com meros poderes de gestão e já em campanha eleitoral, a negociar o resgate internacional da dívida soberana portuguesa que entretanto se tornara inadiável! Terminada a "festa" eleitoral, trocamos a "austeridade" alegadamente incompetente, envergonhada e malquerida, de José Sócrates, pela "austeridade" orgulhosamente assumida, crua e redentora, de Passos Coelho. E agora, "sem pieguices", do que nos havemos de queixar? (ver artigo completo)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Humor clínico

-Doutor, tenho tendências suicidas. O que é que eu faço?
-Em primeiro lugar, pagar a consulta.


O psiquiatra para o paciente:
-O senhor vai parar de beber cerveja. Durante um ano só vai beber leite.
-Outra vez doutor?
-O que, o senhor já fez este tratamento?
-Já, durante os primeiros meses da minha vida…


No psiquiatra:
-Doutor, tenho complexo de feia.
-Qual complexo, qual quê…tem toda a razão.


-Doutor, quando eu era solteira tive que abortar várias vezes. Agora que casei, não consigo engravidar.
-O seu caso é muito comum: você não reproduz em cativeiro.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O que nem no Carnaval Passos pode dizer





Por ANDRÉ MACEDO-D. Notícias

Há uns anos, o Mistério da Economia encomendou um inquérito para perceber como os outros Estados europeus olhavam para Portugal. Na altura, escrevi uma coluna sobre o assunto. À pergunta - a que animal associa o país? -, a maioria respondeu: o burro. Poderia ter sido a águia, que nos faria voar de alegria. Ou o touro, que nos faria inchar de orgulho. Infelizmente, calhou-nos o burro.

Não sei se era a isto que Pedro Passos Coelho se queria referir - à maneira como os outros países nos olham e avaliam - quando de repente se indispôs contra a lamechice nacional. Mas não percebendo o objectivo político de Passos nesta incursão, fiquei a remoer o assunto: será que somos realmente um povo pedestre, dócil e amanteigado, como tantas vezes se diz, e o primeiro-ministro pareceu confirmar?

Não tendo resposta objectiva para esta súbita inquietação metafísica do Governo (logo numa altura destas), saltei para outra dúvida: num país menos sentimental do que o nosso - menos piegas, portanto -, esta frase, dita por um primeiro-ministro, seria interpretada de que forma? Imaginei Merkel perorar contra a rigidez dos alemães. Ou Sarkozy lamentar a vaidade francesa. Ou ainda Monti atacar o excesso de boa disposição dos italianos. Na verdade, nunca os ouvi dedicar-se a temas tão... intestinos. Porque será?

Para responder, não tenho alternativa senão citar, não Camões, embora o caso pedisse, mas um político de olhos bem abertos: Winston Churchill. No meio da guerra com a Alemanha, com o Reino Unido a fazer um brutal esforço financeiro, um grupo de ministros quis cortar as despesas supérfluas, entre as quais as ligadas aos poucos eventos culturais que ainda havia. Confrontado com a ideia, Churchill respondeu: meus senhores, se cortarmos aí, esta guerra serve-nos para quê?!

O homem da frase "sangue, suor e lágrimas" (a tirada é de Garibaldi, foi usada por Roosevelt e depois celebrizada por Churchill) sabia do que estava a falar. As pessoas reconheciam nele a inteligência para, apesar de tudo, conseguir dosear as decisões. A legitimidade para exigir sacrifícios vinha do medo dos alemães, sim, mas também da confiança que soubera construir à sua volta.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"Cerebros com benefícios fiscais

Numa altura em que o Governo português apela à emigração, o executivo irlandês tenta atrair cérebros estrangeiros. Para isso vai introduzir uma redução fiscal de 30% para quem ganhe mais de 75 mil euros por ano.

Para colmatar a falha de "talentos" no sector tecnológico e nas multinacionais do país, o governo de Enda Kenny quer atrair cérebros estrangeiros para o país.

Assim, decidiu introduzir um benefício fiscal de 30% para rendimentos superiores a 75 mil euros por ano.
·
O governo vai ainda permitir que as empresas utilizem os créditos fiscais ligados à pesquisa e desenvolvimento para pagar executivos estrangeiros "altamente qualificados", noticia o "Financial Times".

"Esta medida visa reduzir os custos das empresas no recrutamento de executivos estrangeiros qualificados", afirmou o ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan

O "Financial Times" escreve que um número crescente de países está a implementar benefícios fiscais e outros incentivos para atrair executivos estrangeiros. A Suécia e Holanda oferecem, respectivamente, um benefício fiscal de 25% e 30%.·
Especialistas ouvidos pelo jornal britânico afirmam que a decisão de Dublin, de usar fundos públicos escassos para atrair executivos estrangeiros, mostra como a "guerra de talentos" está a desafiar o abrandamento económico.